A família é um ponto-chave para estabelecer todas as outras relações do cotidiano. Quando se trata de uma família composta por pais e filhos, a dinâmica torna-se muito parecida com a vida em sociedade, afinal, essa família acaba sendo formada por membros de diferentes idades, diferentes profissões, sonhos, expectativas, vivências e assim por diante, sendo unida pelos laços sanguíneos e/ou afetivos. Porém, não raras vezes, os conflitos entre pais e filhos roubam a cena e acabam gerando uma série de estressores que participam da rotina familiar, especialmente quando trata-se de filhos adolescentes.
Anterior à fase da adolescência, a família participa ativamente de toda a infância de seus filhos. É um período em que a principal rede social da criança é a família, diferentemente da juventude, em que o filho tende a exigir privacidade e tomar certa distância da família para se encontrar. Ao atingir essa idade, os filhos vão em busca de uma autonomia maior e também do reconhecimento de si a partir da identificação com amigos, grupos escolares e, atualmente, com a participação intensa das redes sociais.
Dessa forma, enquanto o adolescente está em um momento de busca e formação de sua identidade, os adultos a sua volta estão encarando o conflito que é de deixar de ter uma criança em casa, para receber um adolescente cheio de expectativas sobre si e sobre o mundo. Logo, é exatamente nesse momento em que as discussões se acentuam, principalmente, por haver um grande rompimento das idealizações formadas durante a infância.
Um ponto-chave das discussões tende a ser acerca dos limites. Enquanto os filhos desejam explorar as possibilidades, os pais tendem a ficar receosos com as experiências que seus filhos podem passar. É importante lembrar que os pais são os adultos da relação e com diferentes experiências já consolidadas, ou seja, é preciso que forneçam aos seus filhos uma comunicação menos violenta e mais clara, para que dessa forma outras divergências possam ser atenuadas. Mas, isso não quer dizer que os limites não sejam importantes, pelo contrário, as intervenções e preocupações devem ser verbalizadas de forma que o adolescente tenha consciência de como ele vai utilizar da sua liberdade.
Certamente, esse equilíbrio entre liberdade e limites não é uma situação fácil de manejar, porém, é ela quem vai facilitar a relação. Com isso, um manejo possível para amenizar os conflitos, é a tentativa de um diálogo claro e acolhedor. Entender a perspectiva do adolescente, buscar compreender a sua visão de mundo e esclarecer as suas dúvidas, é um caminho interessante para que os vínculos se mantenham seguros e afetivos. É preciso permitir que o filho viva novas experiências, as consequências de seus atos e que também possa vivenciar as frustrações. Afinal, essa permissão também é uma atitude de amor e cuidado. Nesse momento, a prática tem muito mais significado do que a teoria. Por fim, vale ressaltar que a fase da adolescência não é somente um momento de aprendizado individual, mas, sim, um momento de toda família adaptar-se e aprender juntamente diferentes formas de lidar com essa situação.
Fonte: Carolina Vieira Leite
Psicóloga CRP 07/34578 – @psicarolinaleite – (54) 99917-5768



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