Quando pensamos em saúde, o conceito é bastante abrangente. Segundo a constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS): “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”.
Infelizmente ainda estamos inseridos em uma sociedade que olha todo cenário da saúde como curativo, é quase inexistente o olhar de cuidado preventivo. Aquele em que cada sujeito é olhado com integralidade, prevenindo adoecimentos, sejam eles físicos ou psíquicos. É praticamente unanime que as pessoas consideram um sinal como motivo de investigação. Esse sinal é na grande maioria das vezes identificado por meio de um sintoma conhecido por todos como dor.
Nessa lógica, comumente percebemos consultórios de médicos, dentistas, fisioterapeutas, entre outros profissionais, sendo impulsionados por pacientes sentindo dor. Uma vez que a dor é uma sensação e a reação a essa sensação costuma gerar sofrimento, o que consideramos sofrimento?
Consideramos sofrimento um conceito mais global, um sentimento negativo que prejudica a qualidade de vida do sofredor. Até aqui tudo certo? Mas quando a dor é imensurável. Quando a escala de dor conhecida não é capaz de entender nem amenizar seu desconforto, o que fazer?
Se existe dúvida sobre o que está sendo questionado, continuamos. E quando a dor insuportável é emocional. Quando seu peito parece que vai explodir, mas seu coração está em perfeitas condições, sua mente não desliga um instante e não há nada de errado com seu sistema neurológico. Quando seu trabalho desencadeia crises de choros incessantes, mas seu chefe é legal e seus colegas lhe admiram e o tratam com respeito. Quando você olha para seu par amoroso, amigos ou até mesmo filhos, e tudo parece estar dessintonizado, desconectado e sem sentido.
Quando a dor que você sente não pode ser explicada por nenhuma disfuncionalidade orgânica, ou seja, seu corpo está em perfeitas condições, mesmo assim, você pode, e muito provavelmente, estar doente emocionalmente. Uma avaliação profissional nesse cenário é tão ou mais importante quanto em qualquer outro da sua vida.
Assim como adoecimentos físicos decorrem de múltiplos fatores, os adoecimentos emocionais também podem ser decorrentes de diversas situações. Sentir dor emocional é comum, mas colocá-la em lugar de evidência, onde realmente seja avaliada, atendida cuidada e, quando possível, superada é um grande desafio para os profissionais da saúde mental. Socialmente ainda são muito desprezadas as dores que não sejam justificadas por um comprometimento funcional orgânico.
Por isso fica um recado, uma pergunta, uma reflexão. A escolha é sua. Uma vez humanos, somos construídos e reconstruídos como sujeito a cada nova experiência de vida, assim como coisas boas acontecem que nos impulsionam e encorajam a seguir e enfrentar novos desafios, outra infinidade de situações difíceis também acompanha nossa trajetória e história de vida.
Por isso é difícil pensar que alguém que tenha vivido situações de abuso, sejam físicos ou emocionais, de perda ou de fracassos profissionais, relações familiares ou conjugais turbulentas, situações de traição e luto, não carreguem consigo marcas e dores emocionais advindas dessas experiências e que não apresentem prejuízo de desempenho emocional ao longo da vida.
Mas o que precisa ficar claro é que não importa o motivo, por mais grave ou superficial que pareça, quando uma dor física ou emocional existe em uma ponta da história, na outra, existe uma pessoa em sofrimento que merece todo respeito, acolhimento e cuidado direcionado à singularidade da sua dor.
Se você está sofrendo e sua dor não é reconhecida, brigue por ajuda, ninguém pode julgar o tamanho da sua dor. Ela é sua, só você sabe quanto ela desorganiza seu funcionamento e quanto sofrimento ela traz a sua vida. Para além do que, se dói, você tem todo direito ao cuidado e saiba que tem alguém disposto e capaz de cuidar e entender sua dor.
Fonte: Angela de Souza Garbin
Psicóloga CRP 20522
Telefone: (54) 99191-6694



.jpg)


.png)
