Quantas vezes ouvimos um “foi sem querer”, “não foi a minha intenção ter falado aquilo”, “eu falei sem pensar”. Já perdi a conta de quantas vezes eu mesma falei isso. Sem dúvida, não há como voltar ao passado e o dito popular já diz “não adianta chorar pelo leite derramado”. É inegável que o que se falou, está falado e não se pode alterar, ou, com tamanha facilidade, apertar o botão “voltar” e consertar o estrago. Quem ouviu não esquece, mesmo se nos desculparmos um milhão de vezes e até mesmo se formos agraciados pelo perdão, não se pode anular o que foi dito.
Cremos que a sabedoria do silêncio é demais para nós, que cabe apenas às pessoas brilhantes que já nasceram iluminadas, porém a Bíblia ensina que até os tolos passam por sábios quando se calam. Não é um calar no sentido de ser uma pessoa sem atitude e inerte, mas da sabedoria de quando se posicionar, ou seja, de saber discernir quando se deve e o que é necessário falar.
Há palavras mais duras do que uma agressão física, pois são verdadeiras agressões psicológicas. Há palavras que marcam e nas mentes mais vulneráveis tornam-se verdades. Muitos delinquentes cresceram em ambientes em que os próprios pais já diziam que eles não seriam “alguém na vida”, tais palavras tornaram-se verdadeiras sentenças.
Apesar de reconhecermos o peso das palavras, nem sempre optamos pelo silêncio, quando temos consciência de que o que queremos dizer irá machucar, por vezes, preferimos falar, afinal, dói segurar e há coisas que realmente precisam ser ditas. Tenho por mim que o que nos falta é sabedoria para saber em qual momento falar, quais palavras e o tom adequado a usar.
Precisamos reeducar a nossa boca e usá-la para o bem. Vivemos em sociedade e uma das regras básicas de urbanidade é o respeito, mesmo que não seja recíproco. Reagir da mesma forma grosseira de como, às vezes, somos tratados, é se igualar aos ignorantes.
Tudo o que plantamos, colheremos, e eu acredito que com as palavras não é diferente. Elas têm poder, não voltam vazias. Pare um pouco para refletir sobre o que você tem semeado em sua vida e na das demais pessoas.
Não são, também, os muitos argumentos que nos garantirão êxito em meio às discussões. Algumas vezes, basta uma só palavra. Ademais, como em outro dito popular: “Quem muito fala, muito erra”. Tudo nos leva a afirmar que a sabedoria pode ser encontrada em poucas palavras.
Há pessoas mais maduras e experientes do que outras, que sabe discernir se o que ouviu realmente foi intencional ou se foi algo do momento, impensado e que, se refletido, nunca deveria ter sido pronunciado. Enfim, um erro. Para essas pessoas não são necessárias muitas explicações, um pedido de perdão sincero já resolve. Entretanto, para a grande maioria não é assim e alguns guardam mágoas profundas por palavras jogadas ao vento.
Damos enorme reconhecimento e admiração a quem pensa antes de falar, tem a prudência na escolha das palavras e sabe o momento certo de dizê-las. Podemos aprender com essas pessoas a sermos seres mais agradáveis e influentes com o uso de nosso rico vocabulário com uma dose de sabedoria, reduzindo assim, drasticamente, as ofensas e passando a mensagem que queremos de forma eficaz.
Se refletirmos, grandes homens da história conquistaram direitos que gozamos hoje, posicionando-se, indo para as ruas com belíssimos discursos para expor seus ideais. Disso podemos aprender que as palavras possuem desmedida influência, quando adequadamente usadas.
Fonte: Maitê Keitel – Acadêmica de Direito – UPF – (54) 99641-8117



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