Saúde

RISCO DE TROMBOSE NA GESTAÇÃO E PUERPÉRIO

6 de março de 2023

A gestação implica em uma grande modificação no organismo da mulher, incluindo alteração dos fatores de coagulação e, consequentemente, aumento do risco de doenças tromboembólicas.

Na gestação, há um aumento da capacidade venosa e a pressão venosa nas pernas, resultando em estase (redução do fluxo sanguíneo) e estado de hipercoagulabilidade (aumento do risco de trombose).

Apesar de termos esta grande modificação durante a gestação, a maioria dos casos de tromboembolismo se desenvolve no pós parto (período de 6 semanas após o parto). Ambas vias de parto (parto natural ou cesariana) aumentam o risco de trombose.

Muitas vezes, a trombose pode ser assintomática. Quando apresenta sintomas, está ligada ao aumento de tamanho da panturrilha, dor e desconforto no local (trombose venosa profunda), sendo mais comum a trombose ocorrer nas veias da perna. Também pode cursar com sintomas respiratórios, como falta de ar, cansaço aos esforços e palpitações, sendo esta uma manifestação mais grande da trombose, pois está ligada ao comprometimento pulmonar (tromboembolismo pulmonar)

E o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através do ultrassom venoso com doppler dos vasos comprometidos, sendo este o primeiro exame a ser realizado quando há a suspeita clínica. Nele, é possível ver o vaso que tem a trombose para que já possa ser iniciado o tratamento. Para os casos de embolia pulmonar, o exame ideal é a tomografia pulmonar. Esta, porém, tem limitações de realização na gestação devido a radiação e ao contraste. Se há suspeita clinica, pode ser realizada a cintilografia pulmonar – outro exame que também detecta a embolia pulmonar, com menos riscos na gestante.

Como funciona o tratamento?
O tratamento é realizado com anticoagulação, semelhante aos pacientes não gestantes. Porém, na gestante, há restrição ao uso de alguns anticoagulantes devido ao risco ao bebê, pois muitos anticoagulantes passam pela placenta e podem ter riscos ao feto. No período pós-parto também há um cuidado especial com relação a amamentação, pois há anticoagulantes que passam pelo leite e não podem ser utilizados.

Para pacientes que possuam fatores de risco aumentados para desenvolver trombose, como mulheres com trombofilia de alto risco, abortos de repetição, idade avançada, história pregressa pessoal ou familiar de eventos tromboembólicos, entre outros, muitas vezes é indicada medicação profilática durante toda gestação e puerpério.

Nestes casos, o intuito do tratamento é reduzir o risco de ocorrer trombose nas mulheres que possuem chances maiores de desenvolvê-la. Entretanto, este risco deve ser muito bem avaliado pelo hematologista em conjunto com o obstetra, para sabermos quais gestantes realmente se beneficiam de tratamentos preventivos.

Desta forma, o mais importante é ter o conhecimento de que a gestação e o período após o parto estão relacionadas a risco maior de desenvolver doenças tromboembólicas, porém, a maioria das gestantes, não apresentarão nenhuma complicação. O melhor que podemos fazer é ter um acompanhamento obstétrico adequado e, caso seja identificado algum fator de risco adicional ou sintomas ligados a estas doenças, uma avaliação com um hematologista deve ser realizada para que o melhor tratamento possa ser oferecido, no momento certo e evitando complicações.

Fonte:
Dra. Cristiane Zanotelli
Hematologista | CRM 38.589

Dra. Daiane Weber
Hematologista | CRM 33.632

Hematoclin: (54) 3622-4655 | (54) 99921-3830