Gerar e ceder espaço em seu ventre é trabalho árduo para a mulher; ter a coragem de reconhecer e sustentar que não tem o desejo por filhos, também. O tema da maternidade e da parentalidade (todas as relações que envolvem a chegada e cuidados da nova vida) precisa ter lugar durante todo ano para diálogo e acolhimento, pois podem suscitar conflitos e sofrimento. A mulher tentante, a que está na fila de adoção, a gestante, a parturiente e a puérpera também sofre e merece espaço sem críticas para chorar e trabalhar suas dores; sem falar nas mães que passam pelo inimaginável e doloroso processo de luto pela perda do filho em qualquer momento gestacional, no parto ou após. A Saúde Mental Materna é tema que está inserido em todas as coloridas campanhas pró-saúde do ano. Neste 2021 acrescentamos ao calendário o Maio Furtacor (Campanha de Sensibilização à Saúde Mental Materna) sendo escolhida esta cor para representar os inúmeros aspectos que se apresentam conforme o olhar e luz lançados sobre a questão. O período perinatal, que significa “em torno da maternidade” é considerado momento esperado para a manifestação de sintomas de ansiedade, estresse, esgotamento e alterações de humor, porém também é período potencial de crise e risco para alterações significativas nestes níveis além do aparecimento e/ou agravamento de depressão, piora de transtornos anteriormente presentes e casos extremos, porém, não incomuns, de tentativas contra a própria vida e a do bebê.
Contamos com várias campanhas onde a saúde da mãe mulher deve ser lembrada e contemplada: o Janeiro Branco (Mês de atenção a Saúde mental e emocional) lembrando que a exigência de encarregar-se por completo de uma nova vida que depende totalmente dela e lhe exige readaptações constantes é campo fértil para muitas angústias; no Março Lilás (Mês de prevenção do câncer do colo do útero) e Março Amarelo (Mês mundial da conscientização da endometriose) podemos oferecer acolhimento à dor de enfrentar graves doenças que podem inviabilizar o sonho da maternidade pela via do conceber e gestar; no Abril Verde (Saúde e segurança no ambiente de trabalho) há um vasto campo para olhar as trabalhadoras que são obrigadas a alterar funções, passam por afastamentos temporários, pela angústia nem sempre tão natural que envolve o retorno ao trabalho após sua licença, conflitos entre maternidade e carreira e tantas outras intrincadas situações; o Agosto Dourado (Mês dedicado ao aleitamento materno) busca sensibilizar sobre todas questões envolvidas neste momento delicado que lhe exige desejo, persistência, carece orientação e suporte tanto de sua rede de apoio quanto de profissionais especializados, porque para a surpresa de muitos, amamentar não é instintivo e precisa ser ensinado também; contamos com a data de 15 de Agosto (Dia da Gestante) para lembrar que um mundo novo se apresenta diante da mulher que vive esta experiência com e no corpo, na mente, nas emoções lhe exigindo abrir espaço na vida, na rotina, nas suas vontades e nas entranhas; especial atenção ao Setembro Amarelo (Mês de Prevenção ao suicídio) e o risco que infelizmente está presente dentro do contexto da maternidade em situações de agravamento de transtornos psiquiátricos pré-existentes, condições onde prevaleçam fatores de risco e vulnerabilidade além da dificuldade da própria mulher e do preconceito em buscar ajuda quando, aos olhos da sociedade, ela tem obrigação de estar realizada e feliz. E chegamos finalmente ao Novembro Roxo (Sensibilização para a Prematuridade) e ao amparo necessário àquelas que precisam enfrentar uma realidade muito diferente da idealizada onde o recém-nascido que está fora de seus braços precisa lutar pela vida num tempo de intensas expectativas, frustrações, riscos reais de perda e mobilização de muita força, resiliência e recursos internos para amparar esse bebê.
Finalizando este ano tão repleto de desafios em meio aos efeitos de uma pandemia e mudanças radicais na vida de todos, lembremos-nos de prestar atenção às mães com quem convivemos e lembrá-las que existe sim lugar para dar voz a suas dores, angústias e medos. Porque mãe não é de ferro e embora tenha um papel maravilhoso nesse mundo, não precisa ser a Mulher Maravilha.
Fonte:
Luciane de Albuquerque Hörner
Psicóloga Clínica CRP: 07/25451
Especialista em Neuropsicologia e Pós-Graduanda em Psicologia Perinatal e da Parentalidade
(54) 99981-4313


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