Sabe-se que o controle miccional deve acontecer dos 2 aos 4 anos de idade. Crianças que perdem urina após os 5 anos, sem alterações neurológicas, podem estar apresentando algum distúrbio miccional, ou disfunção do trato urinário inferior.
Essa disfunção ocorre quando o mecanismo de armazenamento ou esvaziamento da urina (complexo bexiga/uretra) não está funcionando perfeitamente, ocasionando algumas manifestações, como:
– incontinência urinária diurna, perda de urina durante o dia;
– enurese noturna, perde urina ao dormir;
– urgência miccional, vontade súbita de urinar;
– polaciúria, aumento da frequência miccional;
– micções infrequentes, ou retenção;
– manobras de contenção, realiza manobras como cruzar as pernas, manipular genitais, entre outros, tentando segurar a urina.
– alterações no jato urinário;
– infecções urinárias recorrentes, normalmente relacionada ao refluxo vescicoureteral (refluxo da urina para o rim) ou à cicatriz renal.
– constipação intestinal, normalmente está associado às disfunções miccionais;
Normalmente essas crianças passam a apresentar alterações emocionais e/ou comportamentais, como timidez, baixa autoestima, insegurança, déficit de atenção, isolamento social, entre outros. Os pais tendem a perceber a roupa íntima da criança, muitas vezes, úmidas e com odor característico. É de extrema importância os pais compreenderem que a criança não tem culpa por estar urinando na cama, então devem evitar xingá-las ou puni-las, pois o problema pode ser agravado. A melhor conduta é procurar o auxílio de um médico e iniciar o tratamento adequado.
O tratamento varia de acordo com o distúrbio que a criança está apresentando e os principais objetivos são melhorar a condição social e prevenir lesão renal.
A constipação intestinal está presente em cerca de 50% dos casos de crianças com disfunção do trato urinário inferior, sendo assim, ela deve ser tratada inicialmente, para evitar a retenção de fezes e prevenir a ocorrência de infecção urinária e piora da função renal.
A fisioterapia pélvica tem sido uma grande aliada, sendo um tratamento indolor, eficaz e divertido, pois utiliza-se biofeedback lúdico, onde as crianças aprendem o movimento correto de períneo (musculatura do assoalho pélvico) através da tela do computador, com animações, imitando um jogo de videogame, com o objetivo de melhorar a evacuação e o ato miccional.
Outro recurso é a eletroestimulação, com eletrodos superficiais, para inibição da hiperatividade da bexiga. Não há dor e a criança sente um leve formigamento na região estimulada. (A estimulação é realizada na região parassacral, onde atinge as raízes dos nervos responsáveis pelo centro da micção). Além de exercícios com bola e faixas coloridas, tornando o tratamento mais agradável.
Muito importante também, são as orientações, quanto ao posicionamento correto do uso do vaso sanitário, os horários programados de micção e evacuação, a ingesta hídrica, diário miccional, entre outros.
Cuide da saúde do seu filho, informe-se com o médico especialista e procure o serviço de fisioterapia pélvica.
Fonte:
Caroline Artusi
Fisioterapeuta Pélvica
Crefito 5 166.821-f
(54) 98123-0464



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