Ele entrou mais uma vez na loja com os olhinhos brilhando e, como sempre, estava determinado a perguntar se tinha o produto que ele desejava. Mas algo estava diferente dessa vez. O menino, com apenas 11 anos de idade, parecia mais determinado, mais centrado, mais calmo e mais seguro de si.
O que houve com aquele menininho que ficava inquieto na porta, esperando ansiosamente que o recepcionássemos, que entrava obstinado por um produto e não tinha paciência para esperar, ou ficava visivelmente decepcionado quando não encontrava exatamente o que queria, ou quando não ganhava o que desejava?
A resposta: Ele começara a jogar oficialmente o Card Game chamado Pokémon. Aquele mesmo que a maioria das mães diz que não aguenta mais ver tantas cartinhas espalhadas pela casa e que, certamente, já gastaram muito com isso.
A integração do menino a este novo desafio, gerou mudanças positivas e significativas para ele.
E sabem como ele passou de acumulador de cartinhas a player? Por louvável incentivo e companhia da mãe.
A mãe, mesmo sem entender a linguagem do jogo – que obviamente é difícil para a nossa geração – começou a motivá-lo a aprender, interagir com outras pessoas (de diversas idades), que participam dos campeonatos.
Sempre sob o seu olhar, talvez cansada, com vontade de ficar em casa ao invés de estar em um evento de um universo estranho para ela, essa mãe decidiu compreender a linguagem do seu filho, fazendo toda a diferença para ele.
Sem generalizar, e com muita empatia por cada mãe, que normalmente é muito exausta e cheia de atividades, gostaria apenas de incentivar o conhecimento da linguagem de um universo novo, mesmo sendo desafiador e talvez nem tão interessante assim para seus gostos e cultura.
Porém, vai além de ver a satisfação de um filho. Se inteirar de um assunto que é do interesse do filho, equilibra e estreita esse relacionamento, quebrando barreiras de gerações tão diferentes.
Se você é mãe ou tem empatia por elas, pode estar de questionando se estou impelindo a mais uma tarefa para as mães, além de todas que já se tem. Realmente ser mãe nos dias de hoje requer muita energia, mas também atualização. Não é mais como as nossas mães foram.
Hoje há uma infinidade de informações à disposição para as nossas crianças, mas também para nós.
Se acharmos que é mais fácil permanecermos sem entender e usar isso como escudo para não participar ativamente das atividades das crianças, devemos ter consciência que é uma escolha. Toda escolha gera caminhos. Neste caso, caminhos que se distanciam.
Quando se percebe, o tempo passou, os filhos cresceram, as falas se desencontram, os ouvidos não escutam mais e parece que normalizaram (mais uma vez sem generalizar) a seguinte fala: onde foi que eu errei, se dei tudo para meus filhos?
Sim, dei tudo para entretê-lo, mas no fundo não dei o que meu filho mais precisava: a minha presença.
Fonte: Gabriele Lima
Psicoterapeuta Integrativa e Empreendedora Geek
(54) 99706-8562
Instagram: @gabriele.lima.terapeuta

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