Existem alguns temas que raramente são discutidos. Há mais perguntas do que respostas, mas é importante falar sobre suicídio entre crianças e adolescentes. As palavras aparentemente dissonantes infância e morte tornaram-se cada vez mais fundidas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio entre crianças e adolescentes é a quarta causa de morte no Brasil e no mundo. Em 2021, foram detectados 200 casos no país, o maior número desde 1996, quando o Ministério da Saúde registrou.
Para compreender o que faz as crianças e jovens pensarem sobre a possibilidade do suicídio, é importante saber que não existe um motivo único. É sempre causada por diversos fatores devido a problemas biológicos, antecedentes familiares ou problemas sociais e ambientais como falta de recursos psicológicos e influência das redes sociais.
Outras questões como conflitos, desastres, violência, perdas e isolamento também podem desempenhar um papel. Por exemplo, temos que considerar as pandemias. Os dois anos em que a COVID-19 mais se espalhou pelo mundo foram quando o contato social entre crianças e adolescentes diminuiu. A falta de comunicação pessoal na escola também impediu os jovens, especialmente, de lidar com situações de conflito. Além de terem a saúde mental fragilizada pelo período de isolamento, não aprenderam a lidar com mal-entendidos e dinâmicas de conflito no ambiente escolar. Mudanças devido à comunicação digital, à pressão das redes sociais e à vida de fantasia “perfeita” anunciada na mídia, junto com isso, a vida digital também destruiu o tempo que esperamos pela interação social. Aos poucos aprenderam a não esperar nem tolerar o desconforto.
Aprender a controlar as emoções é importante para reduzir o medo que envolve a vida das crianças e jovens e pode ajudar a prevenir o suicídio. Precisamos construir uma rede de apoio. As crianças e os jovens precisam de oportunidades abertas para lidar com as suas emoções com calma, sem serem forçados a falar ou criticados. De qualquer forma, é importante tratar o assunto de forma justa. Isto dá às crianças e jovens a oportunidade de expressar os seus sentimentos através da conversa, do desenho e da escrita.
As famílias têm um papel a desempenhar ajudando as crianças a distinguir entre facto e ficção nas redes sociais. Porém, como o suicídio é um problema social e multifatorial, o tratamento e a prevenção do suicídio não são de responsabilidade exclusiva dos pais e sim de todos nós.
“Suicídio ou tentativa de suicídio é um pedido de ajuda. Um pedido distorcido, mas é”.
Fonte:
Iara de Freitas
Psicóloga Clínica – CRP 07/34089
(54) 98411-6455
Instagram: @psicologaiaradefreitas


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