Bem-estar

Todas as doenças começam no intestino

11 de agosto de 2021

Essa citação é de autoria do pai da medicina, Hipócrates. É curioso como estamos voltando no tempo e reafirmando todas as nossas grandes referências na medicina.

Há uma explicação. O funcionamento adequado do intestino ocorre pela produção e absorção de nutrientes, sejam minerais, carboidratos, gorduras, vitaminas e proteínas. O processo alimentar desses nutrientes termina no processamento dos alimentos. É nos intestinos que ocorre a maior absorção de nutrientes e água. É um órgão grande, de até 4 metros de comprimento.

Quando seu funcionamento está afetado, um dos principais problemas que acontece é a deficiência de nutrientes no corpo. Com isso, a fragilidade para as doenças. O intestino é considerado nosso segundo cérebro devido a sua forte conexão com o cérebro e por existir em torno de 500 milhões de neurônios no seu interior.

Um intestino perturbado pode enviar sinais para o cérebro, tal como o cérebro perturbado pode enviar sinais para o intestino. Portanto, estômago ou intestinos perturbados podem ser a causa ou o resultado da ansiedade, do estresse ou da depressão. Isso porque o cérebro e o sistema gastrointestinal estão intimamente ligados.

Assim eles deixam de produzir os hormônios, neurotransmissores de forma organizada causando doenças no nosso organismo, tanto físicas como emocionais. Estudos mostram a diferença no microbioma intestinal em pessoas que são portadores de transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Por isso é que há a prescrição de probióticos, bactérias saudáveis, que vão melhorar a saúde mental.

É no intestino que é produzida mais de 90% da serotonina (neurotransmissor do prazer e bem-estar) e os 100 milhões de neurônios intestinais se conectam com o cérebro e mandam informações para seu bom funcionamento.

Quando o intestino está inflamado, ele manda uma mensagem para o cérebro que então se direciona para o órgão. A serotonina é um neurotransmissor que afeta muitas funções corporais, como o peristaltismo intestinal — o movimento involuntário que o intestino faz para empurrar o bolo alimentar e permitir que a digestão aconteça no lugar certo.

Todos os sentimentos produzem alterações em nosso corpo e o estresse não é exceção. Em situação de estresse, o ritmo cardíaco pode subir, a pressão arterial pode aumentar e o sangue é desviado de sua rota, indo para os braços, pernas e cabeça para rapidamente pensar, lutar ou fugir. Nosso cérebro primitivo agindo, o cérebro reptiliano.

Isso é o esperado como sendo resposta temporária para ajudar na sobrevivência. Porém, quando o estresse se torna crônico, ele pode trair a saúde, causando danos à saúde intestinal e digestiva. Um dos hormônios mais produzidos no estresse é o cortisol. O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que estão localizadas acima dos rins. A função do cortisol é ajudar o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imune e manter os níveis de açúcar no sangue constantes, assim como a pressão arterial.

Quando sentimos alguma emoção forte, pode ocorrer problemas no funcionamento intestinal, como diarreia, constipação, gases, síndrome do intestino irritável, dor abdominal ou até mesmo úlcera. Isso acontece porque quando nos estressamos há uma diminuição do fluxo sanguíneo em órgãos vitais do corpo, inclusive o intestino.

Precisamos olhar o ser humano como um todo. Corpo e mente funcionam juntos e repercutindo suas alteração em ambos. Cuidar do intestino vai muito além de fazê-lo funcionar diariamente.

Fonte: Andrea Canello
Psicóloga/fisioterapeuta – CRP 07/27088 – (54) 99683-8497