Saúde

Tudo que você precisa saber sobre leucemia mieloide crônica?

23 de março de 2021

Chegamos a última edição da nossa série sobre leucemias. Aqui você aprendeu um pouco sobre as quatro variantes da doença, prevenção, causas e tratamentos. Falamos de leucemia linfoide aguda, linfocítica crônica e leucemia mieloide aguda. Hoje falaremos de leucemia mieloide crônica.
A leucemia mieloide crônica (LMC) é um tipo de câncer da medula óssea que envolve as células mieloides, com progressão lenta e podendo demorar muitos anos até que gere sinais e sintomas. Isto se explica pois ocorre a produção de células doentes, mas a produção de células saudáveis ainda se mantem. É classificada como uma neoplasia mieloproliferativa pela organização mundial de saúde, sendo mais comuns em homens adultos.

:: Quais são os sinais e sintomas?
Grande parte dos pacientes são assintomáticos ao diagnóstico, descobrindo a doença pela alteração em exames de sangue de rotina. Quando há sintomas, esses podem ser relacionados à anemia, ao cansaço, à fraqueza, a infecções, a sangramentos, à emagrecimento sem causa aparente ou desconforto abdominal devido ao crescimento do baço.

:: Como suspeitamos da doença?
A suspeita é feita, na maior parte das vezes, pelo aumento dos glóbulos brancos em exame de sangue. Pode ocorrer anemia e alteração das plaquetas também.

:: Como é feito o diagnóstico?
O exame da medula óssea é o fundamental para confirmar a doença. O mielograma (pequena amostra de sangue do tutano do osso), identifica o tipo celular acometido e permite análise genética (cariótipo) e estudo molecular (PCR BCR ABL). A presença do cromossomo Filadélfia é clássica da doença. A biópsia da medula (coleta de fragmento de osso do quadril) normalmente é realizada em conjunto com o mielograma e mostra a grande proliferação das células brancas mieloides relacionadas à doença.

:: Como é feito o tratamento?
A LMC ainda não tem cura. Após a descoberta dos inibidores da tirosina quinase (TKI) em 2001, a LMC passou a ser considerada uma doença crônica e controlável na maior parte dos pacientes. O Imatinib foi o primeiro medicamento a surgir e modificou a evolução da doença, sendo que a maior parte dos pacientes tem uma resposta excelente a terapia, gerando remissão completa da doença e possibilitando qualidade e expectativa de vida normais para esses pacientes. Anos após, surgiram outras medicações, como o Dasatinib e o Nilotinib (TKIs de segunda geração). Inicialmente, eles foram reservados para os pacientes que não respondiam ao Imatinib, mas hoje se sabe que há benefício de uso precoce dessas medicações para controle mais rápido da doença.

:: O tratamento é disponível pelo SUS?
Felizmente, o SUS fornece o tratamento para a doença, sendo liberado o Imatinib como primeira escolha e o Dasatinib ou nilotinib, se haver falha terapêutica.

:: Como é feito o monitoramento?
É realizado através de consultas médicas, exames de sangue e biologia molecular, com avaliação do número de células doentes (PCR). Infelizmente, o SUS ainda não fornece os exames para o acompanhamento molecular, estando isto em votação e em aguardo para implementação. Por ser uma doença crônica, o acompanhamento com médico hematologista é fundamental, sendo este periódico e por toda vida, pois se a doença não é controlada ou diagnosticada, há risco de evolução para formas mais graves, como as leucemias agudas, com alto risco associado.

Fonte: Hematoclin – Telefones: (54) 3622-4655 / (54) 99921-3830