Bem-estar

Um ano novo está chegando, o que esperar?

7 de dezembro de 2020

Assim como em anos anteriores, o 2020 chegou cheio de esperanças. Para alguns, a certeza de um ano de crescimento e sucesso, com perspectivas das mais variadas realizações. É comum isso acontecer, por que os seres humanos tem a tendência natural de projetar no que é novo tudo de melhor, a resolução de todas as dificuldades, ganhos mágicos, como se ser novo bastasse para ser pleno, feliz e realizador.

Quando o final de ano se aproxima, costuma-se dizer que as pessoas entram em um estado de euforia e estresse coletivo, desejando que que as festas aconteçam de uma vez e tenhamos uma nova chance, seja de deixar para atrás as frustações, medos e fracassos que permearam a caminhada anual ou de pensar as possibilidades e esperar que novos horizontes se abram e novas oportunidades surjam. Que o novo ano possa de fato ser o ano “de” (casar, ter filhos, trocar de carro, se formar, trocar de emprego, sair de casa, abrir um negócio, e por ai segue a lista infinita).

Para alguns, é o período do ano mais esperado, pois significa encontrar familiares que, por vezes, residem longe, de comprar algo cujo valor financeiro foi economizado por longos meses, viajar, tirar férias, Viver o que de bom a vida tem a oferecer. O fim de ano é entendido por muitos como um momento de aproximação, perdão, festividades, balanços econômicos, emocionais e novos planejamentos.

O ano de 2020 chegou com essa proposta e logo ali na frente tudo mudou. Não há como negar segundo a palavra do momento, este é um ano atípico. Sim, foi de fato muito diferente, as pessoas de modo geral perderam muito, sentiram seus sonhos, projetos e vidas sendo colocadas em xeque, pois, afinal de contas, a liberdade de ir e vir foi retirada, novas modalidades de trabalho foram instituídas, escolas fechadas, empregos perdidos, sonhos suspensos e o mais dolorido, infinitas vidas interrompidas.

Sentimento de perda é o que muitos estão nutrindo neste final de ano, pois para alguns elas foram incontáveis, para outros insuperáveis, mas, independentemente da dimensão, perder causa dor e sofrimento. É difícil se reorganizar como indivíduo diante dessas situações, principalmente quando o cenário de fragilidade e escassez de recursos, tanto materiais quando afetivos, é coletivo. A instabilidade emocional prejudica ainda mais a capacidade de enfrentamento, pois o sentimento de que tudo só piora, que nada pode ser feito torna-se rotina na vida de muitas pessoas.

Chegar ao final de 2020, sem dúvida, é confuso. A incerteza ainda é diária, a ambivalência acompanha cada atitude, principalmente, no que se refere ao campo das relações. Se por um lado, existe um desejo gigante de reunir a família, festejar a vida, brindar a saúde, o trabalho e tudo de bom que se conseguiu preservar diante de tantos desafios, por outro, o medo, a insegurança e a presença real da covid 19 desencoraja qualquer movimento contrário ao distanciamento como forma de proteção aos que se ama.
O dia a dia ainda exige cautela, a incerteza já faz parte da família, mas sempre o fez, talvez, as pessoas só não davam tanta força a ela. O que importa é não desistir, é continuar acreditando. É lutar, chorar quando necessário, desacelerar quando for preciso. Muitos anos ainda virão e não se sabe que desafios estão reservados a cada um de nós.

A vida é cíclica, está em constante alterações. Todos os dias você tem o poder de decidir o que vai fazer com a sua. Não deposite na família, no trabalho, nos amigos, nos filhos, em quem ou o que quer seja seu destino. Deposite em você sua força, esperança, agregue conhecimentos, reconheça suas fragilidades e busque melhorar seus recursos só assim, independente do ano que venha, você será capaz de enfrentar tudo que chegar até você não importa o tamanho do desafio.

Fonte:
Angela de Souza Garbin
Psicóloga – CRP 07/20522
(54) 99191-6694