Bem-estar

Uso de eletrônicos na infância: deve ser limitado?

18 de maio de 2021

Se até pouco tempo atrás os pais penavam para encontrar a dose ideal de televisão e videogame na vida das crianças, hoje, eles ainda precisam incluir o tablet, o celular e o computador na mesa de negociações. Definitivamente é impossível imaginar uma infância livre da influência dos equipamentos eletrônicos. Por isso, os limites recomendados de utilização dessas tecnologias não param de ser revistos, bem como a maneira com que os pequenos deveriam interagir com as telas.

Segundo indicação da Sociedade Brasileira de Pediatria, a criança até dois anos de idade não deve ser exposta a nenhum eletrônico, até cinco anos de idade, a criança pode ser exposta por, no máximo, 1 hora por dia, de 6 a 10 anos, pode ser usado o eletrônico de 1 a 2 horas diárias, após os 11 anos, a criança pode ficar exposta de 2 a 3 horas diárias. Agora, faço uma pergunta: por quanto tempo seu filho fica em jogos, na internet e nos aparelhos digitais?

Sabemos muito bem que devido à pandemia e ao isolamento social, o uso de eletrônicos se intensificou muito, tanto pelas crianças como pelos adultos. As atividades antes prazerosas e que auxiliavam na passagem do tempo não são mais possíveis e viáveis. A alternativa mais fácil para as famílias tem sido a internet e os jogos de videogame. As crianças estão utilizando os eletrônicos para socializar com familiares, conversar com amigos, assistir às aulas, tudo isso pulou para ao ambiente virtual, colocando em xeque o tempo adequado orientado pelos profissionais especialistas.

Apesar de toda a dificuldade do momento em que estamos vivendo, é necessário que ocorra um freio no uso exacerbado de eletrônicos diariamente, para que isso não venha prejudicar a criança. Podemos perceber o quanto, muitas vezes, as crianças ficam desobedientes, estressadas, ansiosas, agitadas por conta dos jogos ou das tecnologias no geral. Quando estão jogando ou fazendo o uso desses aparelhos, não querem parar, seja para tomar banho, escovar os dentes, comer ou dormir e isso acaba gerando desobediência. Vemos também a ansiedade e a agitação para passar de fases em jogos, provocando, assim, danos para as crianças e famílias.

Mas o que os pais podem fazer para diminuir o uso dos eletrônicos? Primeiramente, os pais devem ser o exemplo dos filhos, deve-se evitar usar o celular por muito tempo ou nos momentos em família na frente da criança, lembre-se que como pai e mãe, você é o modelo da criança. Aproveite a interação familiar! Também é interessante convidar a criança para fazer outras atividades, não espere a criança ter vontade de parar de jogar ou sair da internet, tome você uma atitude e a chame para fazer algo legal, como sair passear, jogar jogos em família, fazer receitas. Estipule horários para a criança usar o eletrônico, pois em muitas situações a rotina acaba se perdendo e os combinados desfeitos, então refaça os combinados e coloque horários em que a criança pode jogar e assistir.

“É preciso levar em consideração as horas que a criança utiliza o eletrônico para as aulas e trabalhos escolares, pois não é a mesma coisa. Fora esse momento em que ela utiliza esses aparelhos para seus deveres, estipule um horário a mais para o lazer da criança, assim ela conseguirá utilizar o eletrônico para as duas atividades e você não estará sendo injusto aos olhos da criança”, comenta a psicóloga Michele Daré Mignoni, que tem foco de atendimento em crianças e orientação de pais.

Importante lembrar que as crianças nasceram na era digital, o que dificulta, muitas vezes, o corte com as tecnologias, por isso é importante ter empatia pelos pequenos e sempre tentar fortalecer o vínculo com seus filhos, isso é fundamental para que as regras sejam mais facilmente seguidas e também para haver mais interação familiar em vez de apenas eletrônicos em sua casa. “É preciso ficar atento, pois, como sabemos, segundo os manuais diagnósticos DSM-5 e CID-11, a dependência em jogos e videogame já é considerada um transtorno e que deve ser levado a sério, exigindo tratamento. Por isso, desde a infância é importante limitar o tempo para essa exposição aos eletrônicos para que a criança compreenda que é necessário ter outras atividades em sua rotina, e que muitas vezes são mais saudáveis do que as tecnologias. Então, papais e mamães prestem atenção nas atividades diárias dos seus filhos e se for preciso procure ajuda profissional para auxiliar a sua família”, comenta a psicóloga.

Fonte: Michele Daré Mignoni
Psicóloga — CRP 07/32169
(54) 99109-2300
@psicologamicheledm