Popularmente dizemos que o ano começa somente em março, tudo volta a funcionar normalmente neste mês, passados as férias e o carnaval. Iniciam-se os estudos e o trabalho, mas, infelizmente, para algumas pessoas isso não foi possível, pois elas fizeram uma viagem sem volta, ficaram nas estatísticas dos acidentes de trânsito, nos homicídios ou suicídios.
Famílias ficaram sem pais, filhos, irmãos. As mortes repentinas causam grandes dificuldades para serem aceitas, provocando sofrimentos e grandes alterações psicológicas, fisiológicas, comportamentais, bem como alterações no contexto social em que o enlutado está inserido. Uma das coisas que mais perturbam quem fica é a falta de uma despedida.
Como podemos enfrentar o sofrimento de perder um ente querido? Enfrentando a dor, falando sobre a tragédia, vendo fotografias, chorando sempre que tiver vontade. O luto é elaborado na medida em que se entra em contato com a dor. Poder falar sempre que tiver vontade. “Estou sofrendo, dói muito!”
Com frequência, encontramos consolo em contar como sobreveio o falecimento, como nos deram a notícia, como foram os últimos dias ou os últimos momentos. Se raciocinarmos, parece que isso não faz muito sentido ou que não tem por que servir de consolo. No entanto, podemos constatar como a maioria das pessoas, muitas vezes, tende a narrar esses detalhes. É como se ao narrá-los, ajudássemos a nós mesmos a acreditar em tudo e, a sair da nossa solidão, para que alguém compartilhe isso conosco.
Evitar a culpa, esse pensamento impede que se viva a realidade da perda. Manter as atividades do dia a dia, como a escola, o trabalho, as relações sociais. Nada disso deve ser paralisado, pois aumentaria a sensação de que a vida acabou.
Procurar a ajuda de um profissional psicólogo nesse processo de aceitação da perda. Ele irá priorizar o acolhimento e a escuta ao paciente enlutado. O falar sobre a dor com alguém de fora da família serve como uma forma de ritual para aliviar o sofrimento, pois durante o processo de luto é essencial para que se possa superar uma perda importante, um espaço para se expressar, chorar, pedir ajuda. Viver o sofrimento de ver objetos, de sentir falta do abraço, do beijo, da companhia da pessoa.
Nessa escuta, o terapeuta psicólogo compartilha a dor, mas não apenas ela. Compartilha-se o modo de encarar a realidade, pois de maneira intensa, nos sentimos confusos, aturdidos, desolados, vazios, solitários, transtornados, dilacerados. Nosso coração está partido e muito dificilmente somos capazes de fazer conexões entre a razão e o sentimento.
A tanatologia é o curso que prepara o psicólogo para trabalhar com a terapia do luto.
Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan – Psicóloga, CRP 07/21386 – (54) 3045-3223


.jpg)



.jpg)
