A fonoaudiologia é uma ciência que se ocupa em prevenir, tratar e reabilitar as alterações relacionadas à voz, linguagem, audição e motricidade orofacial: área que busca adequar as funções do sistema estomatognático, que é composto por ossos, músculos, articulações, dentes, lábios, língua, bochechas, glândulas, artérias, veias e nervos responsáveis pela sucção, mastigação, deglutição, fonoarticulação e respiração (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia).
O fonoaudiólogo junto aos candidatos à cirurgia bariátrica, ou aos já submetidos, contribuirá para que haja uma melhor e correta forma de alimentação, considerando suas novas condições anatômicas, menor estômago, peso, alterações na produção de saliva, tonicidade muscular e capacidade respiratória. Reestabelecendo por meio de exercícios algumas funções essenciais para o novo comportamento alimentar, como postura, respiração, deglutição, tonicidade e relaxamento durante a ingestão dos alimentos.
É importante haver avaliações e orientações desde o pré-operatório para que as pessoas possam ter tempo hábil para realizar modificações necessárias no comportamento mastigatório quer sejam líquidos, pastosos ou sólidos de sua dieta. Que deve ser elaborada pelo profissional nutricionista.
O ideal é oferecer aos pacientes a oportunidade de conhecer cada processo necessário para essa mudança e principalmente estabelecer o modo mais confortável e seguro para sua alimentação de acordo com as suas particularidades. Essa prática os leva a perceber que, cada alimento possui uma resistência diferente aos golpes mastigatórios exigindo mais ou menos força da musculatura e demais estruturas fundamentais para preparação do bolo alimentar. Com todas essas intervenções o objetivo é manter o paciente sempre no peso ideal/saudável. Pois, somente a cirurgia, sem o devido acompanhamento com a equipe multidisciplinar, não oferecerá as mudanças na forma de pensar, selecionar os alimentos e ingeri-los adequadamente, sendo provável que esses pacientes retornem ao sobrepeso.
A dificuldade para engolir (deglutir), nem sempre está relacionada diretamente com a função de deglutição, mas com uma mastigação ineficiente. Uma vez que se orientada adequadamente a função mastigatória, conscientizando e estimulando o treino em busca de sua automatização, sintomas comuns ao paciente bariátrico como engasgos, piroses, empachamentos e vômitos são aliviados e, por vezes, eliminados. Portanto saliento a importância da avaliação odontológica, para reestabelecer e manter uma dentição apropriada para a trituração dos alimentos e orientar corretamente sobre práticas de higiene oral necessárias, garantindo que eles mantenham em dia as “ferramentas” (dentição) necessárias para a trituração. E então toda a transformação ocorrerá de forma segura e eficaz.
Ao observar as estruturas de cada indivíduo percebe-se que esses aspectos anatômicos não são iguais para todos, portanto, se desconstrói a ideia de padronizar “um número de vezes” que o alimento deve ser mastigado, isso precisa ser estabelecido após uma avaliação criteriosa das funções estomatognáticas de cada indivíduo. Também é dever do fonoaudiólogo auxiliar o paciente a identificar/sentir cada alimento quanto à sua forma, cheiro, textura e consistência, desde o momento da escolha, preparo, introdução, permanência na boca (propriocepção intraoral) até a sua deglutição.
O fonoaudiólogo que atua em cirurgia bariátrica deve saber que o paciente que se propõe a esse tratamento cirúrgico tem um objetivo muito claro que é o de se preparar para as propostas da gastroplastia e seu reestabelecimento. É um momento de grande impacto da vida desse paciente, muitas dúvidas e inseguranças surgirão ao longo deste trajeto. E o trabalho fonoaudiológico, sendo exercido com conhecimento e muita empatia contribui manobras e estratégias tornando todo esse processo menos doloroso e inseguro.
O objetivo no pré-operatório é orientar e conscientizar o paciente sobre os movimentos e exercícios para os novos hábitos mastigatórios que deverão ser adotados. No segundo momento é facilitar o retorno à alimentação após o procedimento cirúrgico de acordo com a sua evolução de consistência alimentar, até que o mesmo já consiga realizar uma ingestão sem dores, engasgos, hipersensibilidades e demais sintomas. Já no terceiro momento, o objetivo é realizar o acompanhamento do paciente certificando-se de que ouve automatização das funções propostas, como deglutição segura, fortalecimento, e movimentação correta garantindo manter também a qualidade vocal, controle do ronco e apneia durante o sono e demais demandas que sejam necessárias para uma melhor qualidade de vida.
Fonte: Grasiela Azevedo – Fonoaudióloga – CRFa. 7- 10306 – Fga. da Equipe de Cirurgia Bariátrica POLLUS CARE – Telefone: (54) 99622-8848







