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Curiosidades

Quem tem vergonha de ser quem se é

26 de junho de 2017
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O ser humano é um ser social, isso é fato, e nós, como representantes da raça humana, temos uma necessidade muito grande de conexão, de pertencimento e aceitação. Você já deve ter visto ou vivido aquela situação em que alguém, seu chefe, por exemplo, lhe elogia e, ao final, oferece “uma oportunidade de crescimento”. Pois bem, eis um fato interessante: apesar de todos os elogios, a maioria de nós só consegue pensar naquela “oportunidade de crescimento”. Esse fato é muito importante pois quando a maioria das pessoas é perguntada sobre amor, elas tendem a falar de abandono, quando perguntadas sobre conexão, contam histórias sobre alienação, isolamento. Mas que fato é esse, que provoca esse viés de desconexão e dor? Bem, esse sentimento chama-se vergonha. E vergonha é muito facilmente compreendida como o medo da desconexão. “Há algo sobre mim que, se outras pessoas souberem ou virem, fará que eu não mereça conexão”. Ninguém quer falar a respeito dela, e quanto menos você a discute, mais a tem.
O que sustenta essa vergonha? Esse “Não sou bom o suficiente,” esse sentimento que todos conhecemos: o não sou magra o suficiente, rica o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente, promovida o suficiente. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante.
Para que a conexão e o pertencimento aconteçam, temos de permitir sermos vistos, realmente vistos. E a vergonha nos acerta bem aí! Pois a vergonha faz com que peguemos a nossa vulnerabilidade e a escondamos: “Ei! Vou esconder você bem aqui no fundo do meu peito e ninguém verá que você existe!” A questão é que muitas pesquisas comprovam que a crença de que a vulnerabilidade é um problema e que deve ser evitada traz grandes prejuízos ao senso de pertencimento e aceitação.
Bom, mas e quanto às pessoas que se sentem pertencentes e conectadas? Qual é o tema? Qual é o padrão de vida? O que elas têm em comum é um senso de coragem. E quero diferenciar coragem e bravura. Coragem tem origem na palavra latina cor, que significa coração, e sua definição original era contar a história de quem você é com todo o seu coração. Então, essas pessoas tinham simplesmente, muita coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis consigo mesmas primeiro, e então com outros, porque acontece que não podemos praticar compaixão por outras pessoas, se não conseguimos nos tratar com gentileza. O que elas tinham é conexão, e – essa é a parte difícil – como resultado da autenticidade, elas estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser a fim de serem quem elas eram, algo que você absolutamente tem que fazer para se conectar.
A outra coisa que elas têm em comum é isso: elas abraçavam a vulnerabilidade completamente. Elas acreditavam que o que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Elas falam que isso era necessário. Elas falavam sobre a disponibilidade de dizer “eu te amo” primeiro, a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias, a disponibilidade de respirar enquanto esperavam o médico ligar depois de uma mamografia. Elas estão dispostas a investir em um relacionamento que poderia ou não funcionar.
Se eu pudesse deixar um pensamento para nós, mortais, seria: devemos deixar que sejamos vistos, vistos profundamente como vulneráveis, e amemos com todo nosso coração, mesmo que não haja garantia (eu sei que isso não é fácil). Devemos praticar a gratidão e a alegria nos momentos de terror; apenas ser capaz de parar em vez de transformar cda situação em catástrofe: “Sou apenas tão grato, porque sentir-se tão vulnerável significa que estou vivo.”

Fonte: Ana Carolina Da Cunha Fortes – Humana – atendimento psicológico – Psicóloga – CRP 07/25508 – Telefone: (54) 99922-1041


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