Bem-estar

Suicídio, um luto silencioso

3 de junho de 2026

“Em cada suicídio, de seis a dez pessoas, são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências emocionais que precisam de ajuda”.

Temos visto, infelizmente, um aumento considerável de suicídios no Brasil. Isso tudo nos leva a uma questão de saúde pública, que afeta pessoas de todas as idades, gêneros e classe social. Essa é uma experiência traumática e devastadora. Portanto, devemos reconsiderar e reavaliar as políticas de abordagem ao suicídio, no intento de atingir uma maior efetividade preventiva.

O processo do luto, em uma perda por suicido, é vivido pelos familiares, amigos e conhecidos; composto de várias dificuldades, de muitas dúvidas, seguido de reações físicas, psíquicas e mudanças comportamentais, que, se não forem bem atendidas e elaboradas, podem resultar no que chamamos na psicologia, de luto complicado, principalmente suicídios de filhos.

Com uma visão psicológica, trata-se de um luto, que tende a ser mais desorganizador, pois envolve uma ruptura abrupta, frequentemente sem explicações claras, o que dificulta a elaboração emocional e o processo de aceitação. Além da dor da ausência, surgem sentimentos intensos e muitas vezes conflitantes, como a culpa, a raiva, a tristeza profunda, a confusão e os questionamentos persistentes, os chamados “e se…”.

É comum que a pessoa enlutada, sinta-se responsável ou falhe em encontrar resposta; revisa sinais e situações do passado; experimenta ambivalência entre amor, dor e até a raiva; sinta-se isolada ou incompreendida. Aparecerão perguntas que não saem da cabeça: como eu não reparei? Por que não fiquei por perto? Por que o deixei sozinho? Por que não pediu ajuda?….

Essas perguntas pesam e machucam muito e o pior, talvez elas nunca tenham respostas. Lembrando, que o luto por suicido é a mais silenciosa e considerado um dos mais dolorosos, não é só ausência, é a culpa. A sensação do que poderia ter sido realizado e não foi, é a sensação de que poderia sempre estar presente e não conseguiu, é também o silêncio, porque quase ninguém, sabe como acolher esse luto. O suicídio não acontece só por uma palavra que não foi dita ou por um gesto que não foi feito. O suicídio é o resultado de uma dor imensa, silenciosa e muitas vezes inevitável, até chegar à escolha da morte.

Para os suicidas, a morte é um subterfúgio, pois eles acreditam que somente com a morte, terão paz de espírito, já que é difícil estar vivo e acordar a cada dia. É importante salientar que não existe uma causa para o suicídio, trata-se de uma série de fatores, que vão se acumulando e a pessoa não consegue lidar com elas. Encontra no suicídio uma saída para a sua situação. A responsabilidade não é a de quem ficou, pois o suicídio não é sua culpa de alguém.

Procure buscar apoio profissional, de uma psicóloga/terapia do luto, isso ajudará na ressignificação da perda. Não se trata de “esquecer”, mas de encontrar novas formas de se relacionar com essa ausência, preservando o vínculo afetivo.

O cuidado com quem fica é essencial porque, mesmo diante de uma dor tão profunda, é possível construir caminhos de continuidade, sentido e vida. Por esse motivo, o acolhimento é fundamental. Validar a dor, sem julgamentos, permite que essa experiência dolorosa, seja gradualmente simbolizada e integrada.

Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan
Psicóloga Clínica, com formação em Tanatologia
CRP 07/21386
Telefones: (54) 99950-5788 e 3045-3223